Declínio e queda das metodologias ágeis

James Shore escreveu um artigo [1] que causou uma série de discussões como há muito tempo eu não via. Antes de continuar aqui, leiam. Eu espero.
Muita coisa absurda é feita em nome do Scrum ou de Agile, assim como muitas atrocidades já foram cometidas em nome do RUP, do PMBok ou da metologia que vier à sua cabeça. O problema é que, enquanto as anteriores ficaram com a fama de burocráticas e lentas, as metodologias ágeis em geral carregam a idéia errônea de serem desorganizadas, bagunceiras e irresponsáveis. Ao mesmo tempo, já ouvi casos onde o nome ‘Scrum’ foi associado a projetos sem definição de pronto, processos amarrados e burocráticos ou mesmo anarquia (no sentido mais comum do termo).
Aí você pergunta: ‘Ué, processos amarrados e burocráticos? Mas não era pra ser ágil?‘. Sim, era. O Scrum, em sua definição formal, não é uma metodologia, mas um framework, um conjunto de práticas e idéias que levam, antes de mais nada, a mudanças culturais e comportamentais. Essas sim é que vão causar melhora na comunicação, aumento de produtividade e toda essa coisa que tentam vender como um produto na caixinha.
Há duas semanas ouvi um profissional de TI (ex-IBM e apaixonado por RUP, segundo o próprio), dizendo que Scrum não presta porque não tem um livrão de 800 páginas explicando passo a passo como fazer. ‘Vira zona’, nas palavras do colega.
Também há algumas semanas, um conhecido evangelizador da Microsoft publicou suas impressões sobre Scrum [2]). O cidadão tem a infelicidade de dizer que “Scrum é fácil de usar”. Claro, é sempre muito fácil mudar antigos hábitos, perder vícios e mudar a cultura da empresa inteira. É sempre muito fácil ter o comprometimento de todos os membros da equipe, ter facilidade de comunicação e mesmo criar o conceito de equipe dentro da empresa.
Assim como aconteceu nesse caso, pessoas tidas como especialistas começam a vender Scrum, ou qualquer metodologia ágil como se fosse algo fácil e rápido de aplicar. Projetos inteiros vão para o vinagre por completa falta de organização e, principalmente, por falta de um entendimento verdadeiro do que realmente é ser ágil.
Agile não é só Scrum, não é bagunça nem falta de organização. Scrum não é Kanban e Post-it com reuniões em pé. Ser ágil não é só entregar em prazos curtos, não é só usar TDD, BDD, XP ou a PQP de sigla que você achar por aí. Não é jogar fora a documentação, nem deixar de modelar, não é trabalhar sem contrato, não é criar piscinas de bugs, não é descer a lenha em PMP ou queimar o PMBok em praça pública. Agile, Scrum, Crystal, XP, etc são, antes de mais nada, bom senso.
Nem mais, nem menos.

Referência:

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One Response to Declínio e queda das metodologias ágeis

  1. Servente disse:

    O que dá pra tirar de conclusão dos bons textos e da experiência na área é que independente do método utilizado, o fundamental em qualquer projeto é a equipe que vc trabalha.

    Vc pode usar o espremedor de laranjas ou espremê-las manualmente… mas sem laranja não sai suco.

    Sem tentar fugir tanto. O nome da metodologia não define como será seu projeto. Um projeto guiado por PMBOK pode ser ágil e um projeto guiado por SCRUM pode ser demorado e em alguns casos burocráticos.

    O ponto importante que dá pra tirar é que lendo o artigo do James Shore e vendo as bizarrices praticas nas empresas é que muita gente corre atrás do título – PMI, CSM ou qq coisa – mas não se preocupa em entender realmente o que a metodologia se propõe e como aplicá-la corretamente.

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