O que não é Scrum

13.maio.2009

dilbert-agile-programming

Departamento de sistemas da matriz adotou Scrum como metodologia de desenvolvimento. Bacana, não?

Não.

Primeiro ponto: Scrum é um framework de gerenciamento de projetos, e não de engenharia. Obrigatoriamente você vai precisar de alguma técnica complementar se quiser que seu desenvolvimento de sistemas (no caso) esteja dentro do que se considera aceitável. Os responsáveis pela adoção acreditam realmente que apenas o Scrum vai salvá-los da danação eterna.

Segundo: usar Post-its, quadros brancos, burndown charts e mimimitings não significa que você esteja usando Scrum. Daily Meetings semanais e Stand-up Meetings sentados, com três horas de duração também não tem nada a ver com Scrum.

Terceiro: Aposto um dedo da mão direita como um “Scrum” aplicado dessa forma vai afundar o projeto, ou pelo menos vai gerar um produto de péssima qualidade, caro de se manter e muito, mas muito estressante de se trabalhar.

Aposto outro dedo da mesma mão como o Scrum vai levar a culpa e vai ser banido a pontapés da empresa. Com o risco de alguém olhar para trás e se transformar numa estátua de sal.

Pedir a benção do Papa para ‘implantar Scrum’ dentro da empresa não soa exatamente ágil. O que a empresa teoricamente espera é software que funciona, com qualidade, dentro de prazo e custo estimados. Se você tem que beijar a mão do bispo para conseguir trabalhar direito, a agilidade definitivamente não faz parte do DNA da empresa.

E finalmente, imprimir “Scrum & XP from the Trenches” e ler passo a passo antes de tomar uma decisão só mostra o quão despreparadas estão as pessoas envolvidas. Por maior que seja a boa vontade, não vai rolar.

Scrum é flexível, e muito. Mas mudar os alicerces do framework é como ser católico sem acreditar em Deus.

Como bem escreveu Rodrigo Panachi, “agilidade não é metodologia, é atitude”.

Update: Recomendo a leitura do artigo do Rodrigo Yoshima.

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One more achieved goal

24.novembro.2008

Na metade do ano estabeleci como meta conseguir duas certificações.
Hoje consegui a segunda.

Certified ScrumMaster

Sun Java Certified Programmer

Que venha 2009. 😉


Declínio e queda das metodologias ágeis – Ecos do além

21.novembro.2008

O debate continua ecoando. Na última pesquisa, o Google acusou 9.800 páginas sobre o assunto [1].

Um dia esse site chega lá =)


Declínio e queda das metodologias ágeis

18.novembro.2008
James Shore escreveu um artigo [1] que causou uma série de discussões como há muito tempo eu não via. Antes de continuar aqui, leiam. Eu espero.
Muita coisa absurda é feita em nome do Scrum ou de Agile, assim como muitas atrocidades já foram cometidas em nome do RUP, do PMBok ou da metologia que vier à sua cabeça. O problema é que, enquanto as anteriores ficaram com a fama de burocráticas e lentas, as metodologias ágeis em geral carregam a idéia errônea de serem desorganizadas, bagunceiras e irresponsáveis. Ao mesmo tempo, já ouvi casos onde o nome ‘Scrum’ foi associado a projetos sem definição de pronto, processos amarrados e burocráticos ou mesmo anarquia (no sentido mais comum do termo).
Aí você pergunta: ‘Ué, processos amarrados e burocráticos? Mas não era pra ser ágil?‘. Sim, era. O Scrum, em sua definição formal, não é uma metodologia, mas um framework, um conjunto de práticas e idéias que levam, antes de mais nada, a mudanças culturais e comportamentais. Essas sim é que vão causar melhora na comunicação, aumento de produtividade e toda essa coisa que tentam vender como um produto na caixinha.
Há duas semanas ouvi um profissional de TI (ex-IBM e apaixonado por RUP, segundo o próprio), dizendo que Scrum não presta porque não tem um livrão de 800 páginas explicando passo a passo como fazer. ‘Vira zona’, nas palavras do colega.
Também há algumas semanas, um conhecido evangelizador da Microsoft publicou suas impressões sobre Scrum [2]). O cidadão tem a infelicidade de dizer que “Scrum é fácil de usar”. Claro, é sempre muito fácil mudar antigos hábitos, perder vícios e mudar a cultura da empresa inteira. É sempre muito fácil ter o comprometimento de todos os membros da equipe, ter facilidade de comunicação e mesmo criar o conceito de equipe dentro da empresa.
Assim como aconteceu nesse caso, pessoas tidas como especialistas começam a vender Scrum, ou qualquer metodologia ágil como se fosse algo fácil e rápido de aplicar. Projetos inteiros vão para o vinagre por completa falta de organização e, principalmente, por falta de um entendimento verdadeiro do que realmente é ser ágil.
Agile não é só Scrum, não é bagunça nem falta de organização. Scrum não é Kanban e Post-it com reuniões em pé. Ser ágil não é só entregar em prazos curtos, não é só usar TDD, BDD, XP ou a PQP de sigla que você achar por aí. Não é jogar fora a documentação, nem deixar de modelar, não é trabalhar sem contrato, não é criar piscinas de bugs, não é descer a lenha em PMP ou queimar o PMBok em praça pública. Agile, Scrum, Crystal, XP, etc são, antes de mais nada, bom senso.
Nem mais, nem menos.

Referência: